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Guia 08

Onde deitar entulho no Porto?

6 min de leituraAtualizado em 2026Porto e concelhos vizinhos

Não há uma resposta para o Grande Porto — há seis respostas diferentes. Cada concelho tem o seu sistema de resíduos, o seu ecocentro e as suas regras, e a diferença entre dois concelhos vizinhos chega a ser entre «entra» e «não entra». Este guia diz onde é que o seu entulho pode mesmo ir.

Primeiro: o entulho não é lixo urbano

Resíduos de construção e demolição (RCD) — tijolo, betão, azulejo, argamassa, loiça — não entram no contentor do lixo nem ao lado dele. Deixá-los na via pública é contraordenação ambiental, e a deposição ilegal de RCD é contraordenação ambiental punível com coima que, para pessoas singulares, vai de 2.000 € a 200.000 €, consoante a gravidade e a culpa (Lei n.º 50/2006, na redação da Lei n.º 114/2015). O transporte legal faz-se sempre com e-GAR, a guia eletrónica emitida na plataforma da Agência Portuguesa do Ambiente.

Porto: o ecocentro está fechado a particulares

É a primeira surpresa para quem vive na cidade. No Porto, a autorização de deposição de RCD em ecocentro «é pedida apenas por empresas» — um particular não a pode pedir. Resta-lhe a recolha ao domicílio da Porto Ambiente, que é um serviço pago: taxa de serviço mais tarifa por peso acima de 500 kg. Aceita betão, tijolo, telha, cerâmica, mármore e pladur.

A regra que apanha as obras a sério

A Porto Ambiente não aceita resíduos de obras licenciadas ou sujeitas a comunicação prévia nos termos do RJUE. Para essas, a própria câmara remete para um operador de gestão de resíduos. Ou seja: se a sua obra tem licença, o entulho não é problema da câmara — é seu.

Vila Nova de Gaia: entra, mas com e-GAR

Gaia não é servida pela LIPOR — é pela SULDOURO, que trata os resíduos de apenas dois municípios, Gaia e Santa Maria da Feira. E os ecocentros da SULDOURO recebem particulares: até 1 m³ por dia de RCD de pequenas obras da própria habitação. A condição que trava a maioria é a mesma de sempre: a SULDOURO não recebe RCD de particulares sem e-GAR emitida. Detalhe em recolha de entulho em Gaia.

Matosinhos: o critério é a obra, não o volume

Matosinhos recolhe ao domicílio entulho de pequenas obras que não careçam de licenciamento, por marcação na linha gratuita 800 301 234. Tem quatro ecocentros e um ecocentro móvel. A câmara é explícita quanto ao que não se faz: nunca colocar estes resíduos na rua ao lado dos equipamentos de recolha, sob pena de coima. Ver recolha de entulho em Matosinhos.

Maia: três documentos ou não descarrega

Na Maia, os RCD de obras particulares isentas de controlo prévio devem ser depositados diretamente pelo produtor nos ecocentros — e a deposição exige Declaração de Descarga de RCD, comprovativo da natureza da obra e e-GAR. Os resíduos têm ainda de ir separados por frações, o que é precisamente o contrário do que sai de uma remodelação. Ver recolha de entulho na Maia.

Gondomar: pequenas reparações são gratuitas

Gondomar remove gratuitamente entulho de pequenas reparações domésticas, em data combinada, por marcação no 800 200 129 ou 224 662 650, nos dias úteis das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. Há ainda o Ecocentro da Cal, em São Cosme, e o ecocentro móvel ECO+PERTO. Para obra com projeto aprovado, a câmara calcula os volumes e cobra tarifa. Ver recolha de entulho em Gondomar.

Valongo: só para quem é do concelho

Os três ecocentros de Valongo destinam-se a munícipes de Valongo e a empresas sediadas no concelho, e cada contentor recebe apenas um tipo de resíduo. Linha gratuita de higiene urbana: 800 202 099, dias úteis das 9h00 às 17h30. Ver recolha de entulho em Valongo.

A opção que não depende de nenhuma destas regras

A recolha ao domicílio com operador leva o entulho ao destino licenciado com e-GAR emitida do nosso lado — sem ecocentro, sem contentor na via pública, sem separação por frações e sem depender de a sua obra ter ou não licença. É a via que existe precisamente para os casos que as regras municipais deixam de fora, e são a maioria dos casos reais. Se ainda não sabe que volume tem, veja quanto pesa 1 m³ de entulho.

Perguntas Frequentes

Posso levar entulho ao ecocentro no Porto?

Como particular, não. No Porto a autorização de deposição de resíduos de construção e demolição em ecocentro é pedida apenas por empresas. Ao particular resta a recolha ao domicílio da Porto Ambiente, que é paga — taxa de serviço mais tarifa por peso acima de 500 kg — ou contratar um operador.

Porque é que em Gaia posso e no Porto não?

Porque são sistemas diferentes. Gaia é servida pela SULDOURO, que trata os resíduos de Gaia e de Santa Maria da Feira e aceita de particulares até 1 m³ por dia de pequenas obras da própria habitação. O Porto é um dos oito municípios da LIPOR e o seu regulamento reserva a deposição de RCD em ecocentro às empresas.

A minha obra tem licença. A câmara leva o entulho?

No Porto, não: a Porto Ambiente não aceita resíduos de obras licenciadas ou sujeitas a comunicação prévia nos termos do RJUE e remete para um operador de gestão de resíduos. Em Gondomar, obra com projeto aprovado tem os volumes calculados e a tarifa cobrada pela câmara. A regra geral é simples: quanto mais formal for a obra, mais o entulho é responsabilidade do produtor.

O que acontece se deixar o entulho na rua?

A deposição ilegal de resíduos de construção e demolição é contraordenação ambiental muito grave, com coima de 2.000 € a 200.000 € para pessoas singulares, consoante a gravidade e a culpa, nos termos da Lei n.º 50/2006. Em Matosinhos a câmara avisa expressamente que colocar estes resíduos junto aos equipamentos de recolha é sancionado.

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